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" Viva a Poesia! "
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quinta-feira, 23 de abril de 2020

Acalma



Por que insiste tanto em me penetrar
     a mente,
     o peito,
     a alma?
Por que insiste tanto em me furtar
     o consciente,
     o preceito,
     a calma?

                    

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Fora da metáfora


Pra que uma face “tão maquiada"
se o interior tão cinza?
Pra que uma fachada “tão bela"
se o interior em ruínas?
Pra que uma fronte “tão amável"
se o interior tão ranzinza?
Pra que a reação “sossegada"
se o interior tão traquina?

domingo, 22 de março de 2020

Vadia Poesia arredia na rua vazia



A cidade quase deserta,
A mente quase vazia...
No canto sombrio do muro,
Na areia, o felino enterraria
Algo com similar odor do futuro.
Apenas o bichano, eu e a Poesia...

                 

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Outro cais – o papel



Não vou sair dessa cama
Não vou sair desse quarto
Não vou deixar essa casa
Não vou deixar essa cidade

Já desocupei muitas mentes
Inclusive as que eu ainda gostaria de estar

Posso até não descartar essa cama
Posso até não abandonar esse quarto
Posso até não desprezar essa casa
Posso até não zarpar dessa cidade

Mas minha mente já partiu
Atracou a Poesia a outro papel.

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Com a solidão




Sem teu abraço, hoje ilhado, na agonia adormeci
                          “com a solidão”.

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Resoluto





Sendo o teu olhar tão fascinante,
A tua boca tão desejada,
Imagino os deslizes desse errante
Tripudiando na madrugada...
Haverá, porém, a Poesia – calmante.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Obscuro


Em cada face vejo a tua
Em cada riso vejo o teu
Quando verás o meu?

Em cada voz imagino a tua
Em cada olhar imagino o teu
Quando ouvirás o meu?

Em cada curva vejo a tua
Em cada olhar vejo o teu
Quando fitarás o meu?

Em cada alegria imagino a tua
Em cada suspiro imagino o teu
Quando provocarás o meu?

Em toda despedida lembro a tua
Em todo semblante triste o meu
Quando poderei admirar o teu?

Em toda canção lembro a tua
Em todo poema triste o meu
Quando poderei declamar o teu?

Em qualquer lágrima estancarei a tua
Em qualquer suspiro imaginarei o teu
Quando poderás eternizar o meu?


quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Nebulosidade



Por quantas vezes saí por essas avenidas
chutando latas, puto da vida?
Vento na cara, poeira aos olhos,
No peito um tormento,
A dúvida, onde estás neste momento?

Sem respostas, na caminhada,
Seguindo tonto, sob críticas,
E nenhum argumento.

A chuva no meu blazer esfarrapado,
Em minha lembrança o teu véu molhado,
E minhas lágrimas misturadas ao orvalho.




sexta-feira, 14 de junho de 2013

Lapidando cristais


Em mim o toque invisível
 na mente rastreadora do oculto.

Em mim a veia pulsante,
 com o sangue morno, ainda rubro.

Em mim o pensamento pertinente
com divergências - ainda inaceitável.

Em mim a facilidade da lágrima
 em silêncio e ainda salgada.

Em mim a ausência do fôlego,
 súbita, torturante e ainda incômoda.

Em mim a bolha irritante
 em longa caminhada - ainda por estourar.

Em mim a insistente loucura
 da tua-mente-minha, ainda longe das pedras.

Em mim a poesia persistente,
 inútil, estacionada ainda em mente.

Em
mim cacos e cacos colados,
 não tão bem colados - ainda por ruir.

Em ti o toque insensível
 na mente compulsiva - o susto.

Em ti a veia vazia de sangue,
 mas com o ar quente, ainda pulsante.

Em ti o pensamento insistente
 sem convergências - ainda maleável.

Em ti a facilidade em massacrar,
 em gritos, em gestos - distante.

Em ti a ausência da compreensão,
 teimosa, enfática, ainda só tua.

Em ti a pedra no calcanhar
 em calçado apertado, calçada, topada.

Em ti a irritante sanidade
 da minha-mente-tua tão perto das pedras.

Em ti a poesia persistente,
 inútil, solta ao vento.

 Em ti o inquebrável cristal pálido,
 não tão bem lapidado - ainda intocável.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

INSÔNIA

Quando os olhos já não estão presentes...

Não vêem,
Não lacrimejam,
Não se avermelham,
Não...

Não inspiram,
Não vêem meus poemas,
Não molham meu papel,
Não...

Quando os olhos já não estão presentes
Eu posso fechar os meus.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

EX


Tu estavas aqui...
Eu vi! Tavas bem aqui.
Escorregaste bem de leve
E leve levaste o meu ser.

Eu estava aí...
Tu viste! Eu tava bem aí.
Escorreguei não de leve – caí.
Gritei: Não! Não leve. Venha ser!

Não vieste...
Partiste – não és. Foste.
A solidão me veste.
Sumiste – não foste. És...



segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

MINHA NOITE

A madeira na estrada,
a lenha no asfalto,
a fogueira será acesa,
aquecerá a noite amanhã.

E no meu peito faz um frio!

O milharal sob rede elétrica,
o verde sobre terra seca,
pasto para gafanhotos e outros,
uma fazenda urbana.

E no meu peito faz-se um deserto!

A música no ar,
“lenha”, “o leãzinho”,
“louras geladas”, “lambada de serpente”...
“lay your hands on me”.

E no meu peito faz um silêncio!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

HORAS DE SOLIDÃO


Mais um dia sem te ver,
E a noite chega tristonha
Aparentemente vista por mim.
Olhos melancólicos que se escondem
Atrás de pálpebras escuras.

Mais uma noite sem te ver,
E essa noite permanece sombria
Arrasando todo o meu ser,
E meu corpo, tão frio, é trêmulo,
Envolvido em gelados lençóis.

E a madrugada deita comigo,
Olho as quatro paredes sujas;
Desejo teu corpo mais perto,
E tuas mãos para enxugar
Meus olhos vermelhos, mas, sóbrios.

Uma nova manhã se aproxima.
Desejo fitar os teus olhos,
Sentir levemente tua boca,
Fechar os meus olhos à tristeza,
E com minha boca tatear teu corpo.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

QUERO FICAR CONTIGO

Meu coração é cercado por teus atos,
Meu cérebro cerca tua imagem,
Meus olhos se afogam com tua ausência,
Minhas mãos desejam tua volta,
Minha boca implora tua boca.

A saudade machuca meu coração,
Tua ausência parece derreter meu cérebro,
E a ânsia de te ver deixa meus olhos inquietos;
Com uma das mãos fecho minha boca...
Então me dar vontade de gritar.

Mas não adianta gritar teu nome,
Os quilômetros que nos separam
Eliminam a capacidade de audição...
Então um murmúrio é o suficiente
Para que percebas que sinto tua falta.

Assim no teu feliz e breve retorno
Esse murmúrio penetrará teus tímpanos.
Murmurando teu nome e uma frase,
E percebendo que senti tua falta,
Espero que nunca mais me deixes sozinho.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

TUA IMAGEM ESTÁ PRESENTE


Tua voz está ausente...
... em mim o silêncio

Tua língua está distante...
... longe de mim o teu beijo

Tua fala me ensurdece...
... de ti o conselho inútil

Tua boca se camufla...
... em mim o batom sintético

Teus toques estão ausentes...
... em mim a saudade

Tuas carícias estão distantes...
... longe de mim a excitação

Teus sentidos tão ocultos...
... em mim sentidos sem sentido

Tuas vindas e idas são insistentes...
... longe de nós um reencontro.