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" Viva a Poesia! "
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quinta-feira, 30 de abril de 2020

Lástima


Como adiantasse alguma coisa
– a lágrima
Como se fosse o alívio 
– o pranto
Como redimisse o erro
– o choro
Como retratasse o engano
– a queixa 
Como revogasse o equívoco 
– o lamento. 

                    
                    

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Vida-morte


   

A vida é uma paisagem
Vista pela janela de um cometa
Em alta velocidade,
Passa tão rápido quanto
Os segundos de prazer
Num repentino orgasmo.

A morte não sei definir...
Não ouso definir,
Acontecerá com todos.
Quem sabe uma punição?
Acho que não!
Quem sabe um descanso?
Não sei!

       

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

"Morfa!"


A "família" distancia.
Os "amigos" distanciam.
A "realidade" incomoda.
Busco o Peter Pan, Buscopan.
A "reação" incomoda.
A "ação" não foi bem aceita,
traz o mal, e eu Tramal.
A "semente" não germinou,
planta, não planta...
o peixe sem "anzol", Pantoprazol.
Na praça sem "drone", há liberdade,
dez vezes ou deca, talvez Decadron.
Mas, a dor é fina!
Morfa!
Transforme-se!
Morfina!

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Moribundo



Não sentirão a minha falta
quando eu partir definitivo.
Não estará em pauta
a tal palavra de incentivo.

Viúva, órfãos, amigos saudosos
tentarão atuar nesse momento.
Lágrimas, suspiros, atos dengosos
tentarão forjar um sentimento.

“Já foi tarde o moribundo…”
Esse será o pensamento aliviado.
Foi longa sua estadia nesse mundo.
Agora vai incomodar do (no) outro lado.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Predadora




Seta inquebrável
Pedra resistente
Degrau implacável
Punhal insistente

Cruel seta
por que cravaste esse velho peito?
Pedra certeira
por que atingiste esse duro crânio?
Escorregadio degrau
por que derrubaste esse fraco corpo?
Punhal agudo
por que penetraste essa inútil carcaça?

Peito frágil
Crânio vazio
Corpo vadio
Carcaça inábil.


domingo, 19 de agosto de 2018

Ineficácia



Há em minhas palavras ineficientes
A insistência incômoda que irrita.
Ímpeto paradoxal em ações pendentes
Transformando de súbito minha escrita...
Supérfluas assim essas rimas carentes.




domingo, 22 de julho de 2018

Poesias e poesias




Já escrevi tanto
Sobre teus olhos
E a timidez dos meus,
A tua boca
E a ânsia da minha,
Os teus cabelos
E minhas mãos inquietas,
Teu cheiro excitante
E meu olfato duvidoso,
Tua segurança
E meus receios,
Meus planos
E nossos desencontros,
Teus elogios
E meus atos infantis,
Tua realidade
E meus sonhos quase impossíveis.
E só.
Até quando?
Isso basta?

Acalanto


  
       

Se cantas quando
em pranto estou,
eu agradeço.

Se te encantas quando
estou pronto pra cantar,
fico satisfeito.

Se choras quando
ouves canções de acalanto,
eu não te entendo.

Se choro quando
não sei te cantar,
não me controlo.

Se te vejo em prantos,
pronto ou não,
a música de acalanto eu canto.

Se te emocionas quando
a ti eu me declaro,
ponho tudo a perder,
fico sem jeito.



quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Quando me ouvias


Caminhos longos,
maluquice instável.
Ventos constantes,
paixões efêmeras.
Sol ardente,
noites frias.
Verbos moderados,
ações extremas.
Tudo fazia sentido
quando me ouvias.

    Olhares perdidos
    em ações inúteis.
    Toques imperfeitos
    em retoques – refeitos.
    Beijos ausentes
    em poesias frias.
    Versos improvisados
    para grandes cenas.
    Tudo fazia sentido

    quando me ouvias.



terça-feira, 29 de setembro de 2015

Erros sem consertos


Se a morte amanhã visitar-me
Não quero que você chore,
Também não quero ser elogiado;
Não diga que são belas minhas poesias,
Você só leu e ouviu as três piores.

Se a morte amanhã visitar-me
Não diga que isso lhe deixou triste,
Pois estarei contente em algum lugar.
Não diga que a poesia perdeu um grande nome,
Pois enquanto vivo meus versos são supérfluos.

Se a morte amanhã visitar-me
Não diga que eu tenho seu perdão,
Pois você já desejou minha leiga cabeça.
Não diga que esqueceu meus erros,
Pois esses erros nem a amnésia os levaria.


domingo, 30 de agosto de 2015

Não estou nem aqui


Tô mal pra porra quando aqui.
Quando aqui, tento ser mau pra porra,
Toda porra se vira contra mim.

Lá tô mal pra porra.
Cá, mau não posso retrucar essa porra!
Tô mal, tô é mal pra porra.

Se não entendeu, vou dizer, “redizer”
Não “desdirei”, mas tenho uma ligeira impressão...
...que tô mal pra porra!

Tô “malpaporra”!

                            

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Eterna frase



O cansaço nos ombros,
Nas pernas, nos olhos...
E o suor nas costas,
Na cara, no peito...
E a ânsia na mente,
Nos braços, no corpo...
E a poesia na lembrança,
Na dúvida, no papel...
E a lágrima no sereno,
Na página, no semblante...
E o berro no ar,
Na garganta, nos tímpanos...

O cansaço depois do sexo,
O suor depois da luta pela paz,
A ânsia de abraçar a quem ama,
A poesia que tem dúvidas no presente,
A lágrima que mostra a tristeza da saudade,

E o berro dizendo que apesar de tudo eu te amo.

sábado, 20 de junho de 2015

Por quê?



Brinquedo quebrado jogado ao lixo
Rascunho sujo jogado no lixo
Papel amassado jogado ao lixo
Risco riscado jogado no lixo
Compromisso rompido jogado ao lixo
Menino babaca jogado no lixo
Orgasmo lembrado jogado ao lixo
Desejo proibido jogado no lixo
Momento arriscado jogado ao lixo
Encontro previsto jogado no lixo
Poema forçado jogado ao lixo
Sentimento culpado jogado no lixo
Cansaço gostoso jogado ao lixo
Escritos marcantes jogados no lixo
Saudade perversa jogada ao lixo
Lembrança malvada jogada no lixo
Brinquedo quebrado jogado ao lixo
Por quê?

                                      
                               

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Lá vou nesse voo (talvez)


O voo desse sentimento é rasante
O voo desse pensamento é rasteiro
O voo desse pressentimento é tiro certeiro
O voo desse passatempo é golpe fulminante

O “vou-não-vou”
O vou sem ir
O vou sem vir
O vou não, o não vou...
Preciso!
Preciso seria.



domingo, 7 de junho de 2015

Agora



Vem!
Sem dor
Sem constrangimento
Sem furo
Sem corte

Chega!
Encena
Sem cortes
Em cena não finges
És forte

Vem!
Visita sem choro
Vem sem cor
Sem cheiro
Sem norte

Chega!
Silenciosa
Grito contido
Contigo irei
Minha morte.




sexta-feira, 1 de maio de 2015

Penumbra



Tua imagem surgirá
Ao fechar dos meus olhos
Tua imagem perambulará
Ao lado dos meus passos

Teu vulto aparecerá
No início do meu sonho
Teu vulto passeará
Diante desse espelho

Imagem turva e constante
Olhos cegos impertinentes
Imagem turva do instante
Olhos cegos persistentes

Imagem súbita e cortante
Passos lentos insistentes
Imagem súbita de amante
Passos lentos penitentes

Vulto que desaparecerá
Ao abrir dos meus olhos
Vulto que não mais surgirá
Ao lado dos meus passos.