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" Viva a Poesia! "
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segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Inquietude




Meus joelhos são arrastados no asfalto,
A minha pele impregnada de espinhos;
Do conflito sou apenas o arauto,
Chuva de pedras destruindo os seus ninhos.

Essas ações e o meu ser em sobressalto,
Viagem poética e minhas vestes em desalinho;
Nesse conflito sou apenas um incauto
Alucinado que não encontra o seu caminho.

Minhas marcas vão manchando esse chão,
Suor e sangue tatuando a triste via,
Um sentimento que entrou na contramão.

Os meus traços, o meu grito – tudo em vão.
Minhas palavras, os meus versos (desarmonia),
Argumentos dissonantes – sem noção.

                                     
                                      

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

O grito da inspiração




Hoje, à distância, observei minha fonte;
Não mergulhei como antes – contemplei.
Hoje, à distância, analisei aquela ponte;
Não atravessei, não pisei – sequer tentei.

Hoje, remotamente, visitaste meu pensamento;
Nesse instante bagunçaste todo meu conceito.
Hoje, cruel foi minha memória – um tormento;
Nesse instante perfuraste esse velho peito.

Se amanhã apareceres os meus olhos não fecharei,
Serei forte suficiente para me cegar,
Se amanhã a ponte surgir atravessarei.

Se amanhã a Poesia me penetrar,
Serei forte suficiente para não escrever,
Amanhã serei louco suficiente – vou gritar.

                                     

terça-feira, 24 de julho de 2018

"...os problemas da vida são bem mais que isso.”




Sou apenas esse poeta insistente
Cuja poesia não consegue atrair
Esse ser teimoso e impertinente
Que teima em escrever enquanto existir

Sou apenas esse poeta indecente
Que não consegue as palavras conter
Esse ser chato e persistente
Que teima em criar (errar) enquanto viver

Atroz e cruel inspiração – me esquece!
Infinita poesia – deixa minhas veias
Ingênuo coração que não obedece

Louca imprevisível inspiração – me larga!
Infinita poesia – deixa essa teia
Ingênuo coração que agora se apaga.

terça-feira, 17 de julho de 2018

Soneto Metido ao Tal




O teu silêncio tenta explodir meus tímpanos
Tentáculos imóveis e o meu corpo indefeso
O teu olhar oculto tenta esconder-me do fato
Fado constante em semblante teimoso – aceso

A tua distância está bem ali – incomoda
Incômoda ânsia, mas se não fosse, o que seria?
Sereia assassina dos meus insanos atos
Pactos impossíveis nessa tal rebeldia

O meu silêncio tenta esconder meu desejo
O teu beijo intenso nem que seja em sonho
Assim proponho tua voz ausente – desejo

A minha distância está bem aqui – diminua
O teu contexto distante do meu texto tristonho
Desse sonho quero acordar com minha boca na tua.



sexta-feira, 24 de julho de 2015

Perspicaz


Em pensamentos voarei louco,
Procurarei no infinito as rimas
Para ornamentar minha poesia;
Achas que ela estará perfeita?

Para não me perder entre sílabas
Teria que metrificar os meus versos,
E encantar decididamente minha poesia;
Achas que ela estaria primorosa?

Basta a tua suprema presença,
−Aos meus olhos, ou imaginação;
Não precisarei de métrica ou rimas.

Basta o requinte da tua palavra,
−Do teu sim, do teu não;
E minha poesia será de grande estima.

sábado, 4 de julho de 2015

Saudades


Nossas lágrimas não trarão de volta
Teus momentos silenciosos e tristes,
Nem teus momentos críticos de revolta,
Mesmo assim em nossa mente tu existes.

Nossas lágrimas não devolverão
A tua tão simples e sincera palavra,
Nem aliviará a dor do nosso coração,
Mesmo assim esse pranto é o que crava.

Penetra em nosso peito esse punhal,
Punhal da morte que transporta a alma
À força fora de hora, − é infernal.

Projéteis que levam um amigo, um irmão,
E deixam conosco a obrigatória calma;
Irritada fica nossa cabeça sobre a mão.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

As Mãos


Fazem o sinal da cruz,
Guiam, desviam, acalmam,
Aplaudem, labutam, suam,
Acariciam, masturbam.

Esmurram, massageiam,
Corrompem, acatam, punem,
Apoiam, levantam, derrubam,
Avançam, roubam, recuam.

Camuflam, tremem, descobrem,
Agarram, abusam, largam,
Juntam, atam, separam.

Planejam, esculpem, constroem,
Disparam, matam, destroem...
Fazem o sinal da cruz.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Soneto perdido


Teus olhos perfuram o meu mistério
A distância corrompe antigos momentos
À distância ausências derrubam o império
E profundamente recriam tormentos

Meus olhos umedecem de repente
O magnetismo inunda meu instante
O magnetismo te traz à minha mente
Essa lembrança eterna e cortante

Do mistério o óbvio tão esperado
Da distância o desespero tão profundo
E no peito um sentimento ignorado

Do mistério o ato repelente e imundo
Da distância um olhar vazio e inundado
E essa esperança relutando lá no fundo.