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" Viva a Poesia! "
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quarta-feira, 29 de agosto de 2018

ELA






 
         Escrever para Ela, sobre Ela (a Poesia) é um prazer inenarrável. Escrever, para ele, hoje é ofício prazeroso. Ela sempre se esconde lá no cantinho, mas não consegue impedir a visão dele. Ela sempre se afasta, senta-se distante dos olhos do poeta, mas não consegue impedir o olhar dele, que sempre a procura, sempre a busca, à busca sempre. Escrever sobre Ela e para Ela é uma incumbência satisfatória. Escrever sobre Ela, para ela, não parece mais excitante, parece supérfluo. É como se para ela, escrever, para ele fosse uma obrigação. Para ele, ela se encontra num desencontro. Ela vive num ser bruto. Ela renasce no inesperado (mas ele espera).
         A Poesia cutuca sua imaginação, ele viaja. “Não catuque a ferida!” Não insista. Ela pensa, não viaja. A imaginação é a ferida, ele não quer que sare. Não quer a cura. Ela já o penetrou, alastrou, infestou seu velho peito. Ela é a viagem. Quando no sonho perambula em sua mente, sua visão, Ela, só Ela decide o início e o fim. O fim que geralmente vem de súbito, duro, amargo – indesejável.
         Escrever, para ele, é o antídoto e o ópio. Para ela, o veneno.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

PROSA POÉTICA PERDIDA


O meu vinho não me aquece, não está quente. O meu vinho não me acalma, não me esfria, não está gelado. Esse vinho não me faz esquecer (ou não quero esquecer?), ou tenho que esquecer? Esse vinho não me faz lembrar, pois permanece desde o início nessa minha mente fraca (ou quero que permaneça?), a tal lembrança, muitas lembranças – teus toques e retoques – teus lances e relances – meu(s) prazer(es) e desprazer(es)...
A minha fumaça não flutua, essa fumaça não, não é minha nem é tua. Um dia as espirais me inspiraram, inspiração insana. A nicotina (minha segunda menina) está aqui, permanece aqui – não me abandona (a outra me abandonou) – menina má. Vou tentar dormir, talvez consiga ou a poesia me persiga, ou tu dirás: “Poeta, siga! Pois, já parei”.
Adeus! Pois, “Deus dará!”.




*Imagem retirada da Internet

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

MISSA




O odor forte da hipocrisia
Penetra (fulminante)mente minhas narinas.
Seres robotizados sentam, levantam, sentam,
Cantam, repetem, calam, ouvem,
Prometem, não cumprem.

Alguns, pacientes, esperam
O término da celebração – o orador não cala.

Alguns, impacientes, esperam
Os petiscos, a cevada, o álcool – não vêm.

O cisco da bondade efêmera
Penetra, cortante, os meus olhos.
Seres robotizados perdoam e se emocionam,
Têm esperanças – quem sabe realizações?

Seres que rezam pela paz
E difamam o vizinho.
Seres que rezam pela paz
E ao mesmo tempo me observam.

O que veem? Não sei! Amém!