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quarta-feira, 24 de outubro de 2018

No seu aro


E a Besta chegou...
Vem com Ela a chibata,
a seta, o arpão, a lança...
Tu trazes o lombo,
o alvo, a presa – bem mansa.

E a Fera chegou...
Vem com Ela a arrogância,
a intolerância, a condenação...
Tu trazes a subserviência,
arrependimento tardio – em vão.

A Besta-fera chegou!
Trouxe o ferrão, a estaca,
suas garras, seu faro...
Tu já estás à espera,
despreparado, com teu aro.

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Exausta cidade





À noite a chuva molha
A cidade que cochila;
Uns dormem, outros farram
Em plena segunda-feira.

Automóveis quebram o silêncio
Na cidade adormecida;
Uns trabalham, outros meditam
Sob a Lua feiticeira.

Comemorações varam a madrugada
Na cidade sonolenta;
Uns nascem, outros partem sem conhecer
A justiça verdadeira.

As estrelas se ausentaram do céu
Da cidade dorminhoca;
Uns rezam, consertam; outros continuam
Na mesma asneira.

A chuva ainda molha a madrugada
Da cidade que dorme;
Uns cochilam, trabalham; outros farram
E já é terça-feira.





sábado, 7 de março de 2015

Sorria! Você está sendo...



Não pode gritar – hoje é quarta-feira.
Não pode reclamar – hoje é quarta.
Não expelirá suas fezes – hoje é quarta.
Não evacuará seu ácido líquido nessa quarta.

Não pode requisitar – hoje é quinta-feira.
Exigir nem pensar – hoje é quinta.
Não liberará seus gases – hoje é quinta.
Não vomitará o incômodo nessa quinta.

Não pode esmolar – hoje é sexta-feira.
Não pode suplicar – hoje é sexta.
Não implorará seus direitos – hoje é sexta.
Não explicitará a verdade nessa sexta.

Sábados, domingos e feriados nem pensar!
Impossibilidade não só aqui – em qualquer lugar.
Não pode! Não pode! Não insista!

Talvez segunda ou terça... talvez respirará.


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Sem título


Hoje eu tentei falar...
 Escrever,
Pensar,
 O quê?
De quê?
 Pra quê?
Como?
 Onde?
Com quem?
 De quem?
Pra quem?
 Por quê?
De pé?
 Sentado?
Deitado?
 Bêbado?
Consciente?
 Bem-humorado?
Chato?
 Com amigos?
Pornografia?
 Com inimigos?
Sobre imoralidade?
 Política?
Constituinte?
 Polícia?
"Prostituinte"?
 Com freiras?
Ou com lésbicas?
 Com padres?
Ou com pederastas?
 De amor?
Crimes?










Fraternidade?
 Injustiça?
O País?
 Sobre a crise?
O Estado?
 Suas meretrizes?
A capital?
 O marginal?
E seu capital?
 Sobre o planeta?
Um deus?
 O homem?
Suas asneiras?
 Sobre a radiação?
A contaminação?
 A AIDS?
Ou a poluição?
 A perdição?
Mas, quem falta se perder?
 O marajá?
As maiores potências?
 O FMI?
Quem?
 Por quê?
De quem?
 Onde?
Como?
 Paremos!
Por favor!
 Senão serei mais um louco.

         

domingo, 24 de novembro de 2013

Sem palavras


Eles olham minhas olheiras
Observam o vermelho dos meus olhos
Imaginam o meu passado
Condenam o meu instante
Sentenciam o meu futuro

Eles olham meus passos
Observam o equilíbrio dos meus pés
Imaginam o meu desvio
Condenam o meu tombo
Sentenciam-me ao buraco

Eles olham lá de cima
Observam o meu desprezo
Imaginam o meu sentimento
Condenam o meu conceito
Sentenciam o meu silêncio

Jogam-me à terra
Jogam-me a terra
Jogam e aterram.


quinta-feira, 4 de julho de 2013

Bastarda



A culpa é do pai
A culpa é da mãe
A culpa é da puta
A culpa é do corno
A culpa é do ato
A culpa é do gozo
A culpa é do auto
A culpa é do baixo
A culpa é da cúpula
A culpa é da cópula
A culpa é da copa
A culpa é da capa
A culpa é vítima

A culpa é órfã.

sábado, 22 de junho de 2013

Província



Roubos,
Falcatruas,
Explorações,
Enriquecimento ilícito,
Políticas baratas,
Demagogos,
O ministério é um mistério.
O mendigo na esquina,
A saúde está doente,
Caiu da bicicleta.
Gastos com viagens supérfluas,
Investimentos babacas,
E uma voz ao seu ouvido:
“...Moço me dê uma esmola
pelo amor de Jesus Cristo.”
E cento e quarenta e sete porradas
Atingem a cabeça dos velhos.
Enquanto você tem medo
De visitar um hospício,
Os pinéis desse hospício
Têm medo de visitar os malucos
Que vivem do lado de fora...
Aqueles que se dizem normais...
Políticos,
Ministérios,
Governos,

Países...

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Teotônio Vilela/Arapiraca Via Gerais

Diálogos babacas e perturbantes
Atravessando desordenadamente
O meu espaço silencioso.

Forçado ouço pacientemente
Conversas tortas e irritantes
Vomitadas ao meu silêncio.

Já não basta o barulho
Do carro nos buracos da pista,
Soltam conversas confusas.

Já não basta o ronco
Do meu estômago vazio,
Gritam palavras insanas.

Os insistentes buracos da pista
Um dia serão consertados
E o carro não fará tanto barulho.

O ronco do meu estômago
Silenciar quando o alimento,
Mesmo fora de hora, nele repousar.

Diálogos babacas e perturbantes
Atravessarão repetidamente
O meu silêncio amanhã outra vez.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

MENOSPREZO


Olá cara, vem cá!
Senta aqui ao lado,
Você tem o direito
De ficar calado.

Olá cara, você não entende
A matemática, física...
Pois, por favor, “tapado”,
Você tem o direito
De ficar calado.

Olá cara, conte de um a três
E tente calcular a velocidade,
A distância já está clara.

Porém, você não conhece
Seno, co-seno, trígono,
Todos somos ou estamos trincados,
Torno a dizer que você
Tem o direito de ficar calado.

Cara, você não entende a biologia,
Você não faz parte da cienciocracia,
Então não podemos discutir
Sobre a sua uretropiose,
Ou sua possível esclerose,
E antes que eu fique irritado...
Senta aqui ao lado,
Mas, por favor, permaneça calado.

Entretanto, no fundo...
O teu silêncio tem muito
O que me ensinar.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

PUTREFATO TÍMPANO



Música: coisa bela.

Na madrugada de Caetano,
No saudosismo de Elis,
Na poesia de Chico ou Gil.

Longe do modismo, - descartável engano,
Longe do suingue imoral que eu não quis,
Longe desse ritmo comercial tão vil.

Música: coisa bela.

Vinicius e Toquinho na madrugada,
Gonzaguinha e o saudosismo,
A poesia de Milton Nascimento.

Longe da zoada estereotipada,
Longe do transitório sucesso, - modismo,
Perto do verdadeiro sentimento.

Música verdadeira: coisa bela.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

P R O V Í N C I A

Roubos,
Falcatruas,
Explorações,
Enriquecimento ilícito,
Políticas baratas,
Demagogos,
O ministério é um mistério.
O mendigo na esquina,
A saúde está doente,
Caiu da bicicleta.
Gastos com viagens supérfluas,
Investimentos babacas,
E uma voz ao seu ouvido:
“...Moço me dê uma esmola
pelo amor de Jesus Cristo.”
E cento e quarenta e sete porradas
Atingem a cabeça dos velhos.
Enquanto você tem medo
De visitar um hospício,
Os pinéis desse hospício
Têm medo de visitar os malucos
Que vivem do lado de fora...
Aqueles que se dizem normais...
Políticos,
Ministérios,
Governos,
Países...

terça-feira, 24 de agosto de 2010

H O M E N S


Homens cultos agem como primatas

Aqueles que se dizem inteligentes

Consideráveis diplomatas

Explodem petroleiros no mar

E colocam fogo nas matas

Algumas vezes admiráveis cérebros

Outras vezes rejeitados por baratas

Com guerras e desastres ecológicos

Eles criam importantes datas.