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" Viva a Poesia! "

domingo, 22 de junho de 2014

Desde la ventana de un hotel




A realidade está bem ali,
Pelos ares logo estarei lá.
Essa beleza aconchegante ficará aqui,
Buenos Aires, bela, permanecerá cá.

Quando novamente pisarei Avenida de Mayo?
Quando, de perto, novamente Obelisco?
E as poses espontâneas en la Plaza de Mayo?
San Telmo, Recoleta, Palermo em meus riscos...

O despertador logo logo avisará...
Para trás ficará ela, linda, rosada.
Buenos Aires à minha espera estará?
...e os casais? – tango na calçada.

Quando outra vez, de perto, El Caminito?
Quando, tão próximo, de novo La Boca?
E o frio que parece tão infinito?
...e a mistura de tantas línguas nas bocas.












                            

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Lojinha de artigos esportivos do Time do Papa


Congresso Nacional - Buenos Aires


"B-a-r-u-l-h-o-s & Tatu aos pés"



Eu sem asas
Parecia parado
Ele com asas
Parecia imóvel

Fez-se o silêncio no ar
E o ar da cidade se via
Volta o barulho no ar
Meu esqueleto imóvel

“Atenção para a aterrissagem...”
Mas, o que importa a “atenção”
se toda essa tensão é minha?

Eu, sem asas,
agora desejo o ar
Eu, imóvel,
agora preciso voar...

O tempo é curto!
O espaço é pouco...

Decolagem não há.







quarta-feira, 21 de maio de 2014

12h45min (Daqui a pouco)




Daqui a pouco
         estarei no meu inferno
         ou o meu inferno virá a mim
         ou o inferno alheio virá

Daqui a pouco
         partirei ao meu destino
         ou não haverá destino
         ou minhas inconsequências
                            − meu destino

Daqui a pouco
         desistirei do quase improvável
         ou o “quase” é impossível
         ou o “impossível” quase o é

Daqui a pouco
         viverei o meu esperado carma
         visitarei um inferno – carma
         e alguém, alheio, conciso dirá
                            − tenha calma!

         

domingo, 27 de abril de 2014

Erva daninha






Caju, cajueiro – um pouco distante.
Manga, mangueira – água na cara e na cabeça.
Coco, coqueiro – coqueiro seco, também distante.
Jaca, jaqueira – é bem ali.
Banana, bananeira – bananal, um pouco ausente.
Limão, limoeiro – nem Ana nem dia.
Abóbora, aboboreira, abobreira, abrobeira – sei lá qual beira...
Pimenta, um pé, tenho dois pés, pimenteira.
Pitomba, pitombeira – píton na beira.
Mamão, mamoeiro, abacate, abacateiro – ao abate...
não há mais abacate...
Seriguela, acerola, batata, graviola;
O maracujá insiste... a fruta-pão, a fruta, o pão.
Sem eira, e a beira?
Goiaba, goiabeira – óia a beira!
Cana, canavial, cana caiana, cana – parei.
Macaxeira, macaxeira, cheira a brisa;
A brisa cheira? Estou na maca.
Sem eira nem beira – à tua mercê.



                                      

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Interrogação


Por que chamas o poeta de mentiroso?
Por que chamas o poeta de fingido?
Por que não acreditas no poeta?
Por acaso mentiu quando disse que te ama?
Será que fingiu quando chorou no teu ombro?
Serão mentiras suas escritas?
A lua da qual ele fala será que não existe?
Aquela cachoeira de águas límpidas é imaginária?
As longas caminhadas,
As noites sem dormir,
As cenas patéticas,
Achas que foi apenas exibicionismo?

O poeta mentirá quando disser que te esquecerá?
O poeta fingirá quando sorrir não tua despedida?

Por que não acreditas no poeta?

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Cartão amarelo





O verde nos rodeia
O álcool nos invade
A bela música nos penetra
Da amizade espero permanência

Não há bosta de gado
Escorregões nos falta
Falta não foi, apito não há
O campinho está ausente

O verde timidamente nos rodeia
O álcool de mansinho faz efeito
A bela música vai nos embriagando
Da amizade espero permanência

Não há outros obstáculos bovinos
Escorregões apenas nas lembranças
Não há árbitro, não há apito
Campinho não há


O jogo ainda vai começar.

sábado, 25 de janeiro de 2014

Forca sem força


Naquele dia, ao tentar despertar,
eu vi minha felicidade pendurada
por uma das mais antigas armas.

Eu vi os braços dos meus abraços amarrados.
Eu vi as mãos das minhas carícias atadas.
Eu vi os dedos dos nossos pecados paralisados.
Eu vi as pernas dos nossos orgasmos imóveis.
Eu vi os pés das nossas caminhadas tesos.

Naquele dia, ao tentar adormecer,
eu vi minha alegria ceifada
por uma das mais antigas armas:

O amor.

Sim.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Obscuro


Em cada face vejo a tua
Em cada riso vejo o teu
Quando verás o meu?

Em cada voz imagino a tua
Em cada olhar imagino o teu
Quando ouvirás o meu?

Em cada curva vejo a tua
Em cada olhar vejo o teu
Quando fitarás o meu?

Em cada alegria imagino a tua
Em cada suspiro imagino o teu
Quando provocarás o meu?

Em toda despedida lembro a tua
Em todo semblante triste o meu
Quando poderei admirar o teu?

Em toda canção lembro a tua
Em todo poema triste o meu
Quando poderei declamar o teu?

Em qualquer lágrima estancarei a tua
Em qualquer suspiro imaginarei o teu
Quando poderás eternizar o meu?


segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Ainda há tempo


Já é tarde...
Invadiste meu peito
feito o cego punhal.
Quebraste meus olhos
feito o choque no trânsito,
Dilaceraste esse órgão
feito doença terminal.
Queimaste meu cérebro
feito chama infinita,
Iluminaste meu breu
feito o sol matinal.

Já é tarde...
Habitas esse espaço
feito imigrante leal.
Tomaste minha mente
feito desejo carnal.
Desviaste meus atos
feito um golpe mortal.
Mostraste a paixão
Feito um gesto banal.
Partiste sem adeus
deixando-me nesta tristeza total.

                  

Dentro de mim



Longe posso até
o horizonte não avistar,
um sorriso seu
relevante não escutar,
distante posso não lhe ver
em meus pelos repousar,
sinto, sonho, sou.

Louvo a minha mente,
ostento a tua memória,
ultrapasso o invisível horizonte,
reverencio sem avistar,
desejo sem escutar,
espero minha cabeça em teu seio pousar,
sonho, sinto, sou.


quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

O silêncio no sorriso



O vento na cara cínica
Não refresca a pele vermelha
Esse vermelho dissimulado

O sereno na face quente
Não resfria a pele irritada
Essa irritação disfarçada

O silêncio no sorriso

A névoa no rosto cansado
Não explicita a inspiração
Essa inspiração tão esperada

A brisa na fachada exposta
Não embaça a minha visão
Essa visão tão limitada

O silêncio no sorriso.