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" Viva a Poesia! "

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Lágrimas


Lamúrias são consequências
Ocasionais do nosso desencontro.
Ultrapasso meus olhos umedecidos
Reintegrando-me no lugar devido.
Duplico então meu sofrer,
Estabilizando-me distante de ti,
Sem probabilidades de te ver.


sexta-feira, 24 de julho de 2015

Perspicaz


Em pensamentos voarei louco,
Procurarei no infinito as rimas
Para ornamentar minha poesia;
Achas que ela estará perfeita?

Para não me perder entre sílabas
Teria que metrificar os meus versos,
E encantar decididamente minha poesia;
Achas que ela estaria primorosa?

Basta a tua suprema presença,
−Aos meus olhos, ou imaginação;
Não precisarei de métrica ou rimas.

Basta o requinte da tua palavra,
−Do teu sim, do teu não;
E minha poesia será de grande estima.

Confuso


Dos olhos a face umedecida...
Engoli seco, não tão seco.
O pensamento tinto – obscuro.
Uma lembrança distante,
Não tão distante, distinta – de tantas...
Dos olhos a face umedecida.

sábado, 4 de julho de 2015

Saudades


Nossas lágrimas não trarão de volta
Teus momentos silenciosos e tristes,
Nem teus momentos críticos de revolta,
Mesmo assim em nossa mente tu existes.

Nossas lágrimas não devolverão
A tua tão simples e sincera palavra,
Nem aliviará a dor do nosso coração,
Mesmo assim esse pranto é o que crava.

Penetra em nosso peito esse punhal,
Punhal da morte que transporta a alma
À força fora de hora, − é infernal.

Projéteis que levam um amigo, um irmão,
E deixam conosco a obrigatória calma;
Irritada fica nossa cabeça sobre a mão.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Doce Amor(a)


Esse perfume reativa a memória à pele,
Essa esquina ainda dobra tuas curvas
Impregnadas em minha mente e em minha retina.

Tuas curvas em minhas mãos deixam teu aroma
Na insana memória e nessa tal esquina
Onde à tona surge o pecado no negro e rubro da amora.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Eterna frase



O cansaço nos ombros,
Nas pernas, nos olhos...
E o suor nas costas,
Na cara, no peito...
E a ânsia na mente,
Nos braços, no corpo...
E a poesia na lembrança,
Na dúvida, no papel...
E a lágrima no sereno,
Na página, no semblante...
E o berro no ar,
Na garganta, nos tímpanos...

O cansaço depois do sexo,
O suor depois da luta pela paz,
A ânsia de abraçar a quem ama,
A poesia que tem dúvidas no presente,
A lágrima que mostra a tristeza da saudade,

E o berro dizendo que apesar de tudo eu te amo.

As Mãos


Fazem o sinal da cruz,
Guiam, desviam, acalmam,
Aplaudem, labutam, suam,
Acariciam, masturbam.

Esmurram, massageiam,
Corrompem, acatam, punem,
Apoiam, levantam, derrubam,
Avançam, roubam, recuam.

Camuflam, tremem, descobrem,
Agarram, abusam, largam,
Juntam, atam, separam.

Planejam, esculpem, constroem,
Disparam, matam, destroem...
Fazem o sinal da cruz.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Megera


Estavas em meu pesadelo!
Esbravejando sórdida e rudemente,
Rugindo feito animal selvagem,
Leoa enlouquecida no cio,
Por que estavas em meu pesadelo?

Bruta serpente peçonhenta,
Carcará impiedoso e traiçoeiro,
Porco-espinho querendo me abraçar,
Convidando-me ao caldeirão escaldante

Eras a bruxa do meu pesadelo!

sábado, 20 de junho de 2015

Por quê?



Brinquedo quebrado jogado ao lixo
Rascunho sujo jogado no lixo
Papel amassado jogado ao lixo
Risco riscado jogado no lixo
Compromisso rompido jogado ao lixo
Menino babaca jogado no lixo
Orgasmo lembrado jogado ao lixo
Desejo proibido jogado no lixo
Momento arriscado jogado ao lixo
Encontro previsto jogado no lixo
Poema forçado jogado ao lixo
Sentimento culpado jogado no lixo
Cansaço gostoso jogado ao lixo
Escritos marcantes jogados no lixo
Saudade perversa jogada ao lixo
Lembrança malvada jogada no lixo
Brinquedo quebrado jogado ao lixo
Por quê?

                                      
                               

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Lá vou nesse voo (talvez)


O voo desse sentimento é rasante
O voo desse pensamento é rasteiro
O voo desse pressentimento é tiro certeiro
O voo desse passatempo é golpe fulminante

O “vou-não-vou”
O vou sem ir
O vou sem vir
O vou não, o não vou...
Preciso!
Preciso seria.



domingo, 7 de junho de 2015

Agora



Vem!
Sem dor
Sem constrangimento
Sem furo
Sem corte

Chega!
Encena
Sem cortes
Em cena não finges
És forte

Vem!
Visita sem choro
Vem sem cor
Sem cheiro
Sem norte

Chega!
Silenciosa
Grito contido
Contigo irei
Minha morte.




sábado, 2 de maio de 2015

ARMADILHA


Rio do meu retorno...
Nas águas do temporal eu rio.
Esperou por ti o tempo
Em tempestades no covil.

Serpentes fizeram o adorno,
Nos meus carnavais a serpentina,
Confetes, veneno, antídoto, alento...
Rio do meu retorno – tempestade menina.


Nada muda quando tudo parece mutável



De repente a peste
Bem devagar
O olhar no teste
Bem, vem, mau, mal-estar.

   Lento em vão o esquivar
   Disfarçado num sujo espelho,
   Imagem retorcida com cara
   Camuflada parecida joelho.

      Recém não é, sempre antiga,
      Nunca, vem, foi, não está
      A cisma, o prisma, a cara,
      As palavras voam – o seu rimar.

         O mar – com erre, sem – é má,
         E a peste está a divagar,
         Devagar vem o mestre

         Pra dizer que tudo deve mudar.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Penumbra



Tua imagem surgirá
Ao fechar dos meus olhos
Tua imagem perambulará
Ao lado dos meus passos

Teu vulto aparecerá
No início do meu sonho
Teu vulto passeará
Diante desse espelho

Imagem turva e constante
Olhos cegos impertinentes
Imagem turva do instante
Olhos cegos persistentes

Imagem súbita e cortante
Passos lentos insistentes
Imagem súbita de amante
Passos lentos penitentes

Vulto que desaparecerá
Ao abrir dos meus olhos
Vulto que não mais surgirá
Ao lado dos meus passos.



Viva a Poesia!