Majal-San (post.)

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" Viva a Poesia! "

domingo, 13 de outubro de 2013

Concreto



Concreto duro...
no pé – topada.
na cabeça – pancada.
nos ombros – peso.

Na estrutura...
ausente – vulnerável.
presente – pseudo (um dia cairá).

Coração – concreto.
Amor! – Sentimento – substantivo...
Abstrato!



sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Penso e não falo



Querendo escrever algo...
Não consigo imaginar.
Tento falar da humanidade,
Falar dos seus erros.
Relembrar hipócritas atitudes,
Seu péssimo entender.
Paro, penso e não falo.

Querendo escrever algo...
Não consigo me concentrar.
Lembro medíocres falsos testemunhos,
Absurdas propostas imprevisíveis.
Tento desviar de terríveis armadilhas,
Desejo falar dos caminhos que seguimos.
Paro, penso e não falo.

Longos caminhos.
Caminhos estreitos.

Espero os novos caminhos...
Os felizes, sem mistérios,
A inspiração, as palavras.
Paro, penso e adormeço.



quinta-feira, 3 de outubro de 2013

"Despertam e beijam"



Estou aqui de intruso que sou,
Ela não me desperta nas manhãs.
Estou aqui de teimoso que sou,
Ela não me beija mais ao adormecer.

Estou aqui de metido que sou,
Nesses instantes não caibo mais.
Estou aqui, pois, “desorientado” eu sou...
Esses rabiscos não mais provocam dúvidas.

O que me desperta hoje é a sirene – são sirenes.
O que me beija hoje é o açoite – são acoites.
Só caibo nas más línguas!
E dúvidas alheias rabiscam o meu eu.

Desperte para o beijo de despedida
de um metido “ex-poeta” desorientado.
Desperta para os açoites barulhentos
de um rabiscado “ex-poeta” de língua duvidosa.


quinta-feira, 4 de julho de 2013

Bastarda



A culpa é do pai
A culpa é da mãe
A culpa é da puta
A culpa é do corno
A culpa é do ato
A culpa é do gozo
A culpa é do auto
A culpa é do baixo
A culpa é da cúpula
A culpa é da cópula
A culpa é da copa
A culpa é da capa
A culpa é vítima

A culpa é órfã.

domingo, 23 de junho de 2013

Ultraje



Dói, dói tudo!
A orelha esquerda dói
E também queima.

Dói, a cabeça dói!
Parietal, frontal, occipital
Doem e também queimam.

Dói, dói tudo!
Carne, pele,
Ossos, nervos.
Todos os membros
Doem! Queimam!

Dói, a cabeça dói!
Insistência,
Consciência,
Paciência.
As orelhas esquerda e direita
Doem! Queimam!

Doem os membros, a cabeça,
Queimam ossos, nervos, carne, pele.
Pesadelo, pesadelo, pesadelo,
Dói tudo! Queima tudo!



sábado, 22 de junho de 2013

Província



Roubos,
Falcatruas,
Explorações,
Enriquecimento ilícito,
Políticas baratas,
Demagogos,
O ministério é um mistério.
O mendigo na esquina,
A saúde está doente,
Caiu da bicicleta.
Gastos com viagens supérfluas,
Investimentos babacas,
E uma voz ao seu ouvido:
“...Moço me dê uma esmola
pelo amor de Jesus Cristo.”
E cento e quarenta e sete porradas
Atingem a cabeça dos velhos.
Enquanto você tem medo
De visitar um hospício,
Os pinéis desse hospício
Têm medo de visitar os malucos
Que vivem do lado de fora...
Aqueles que se dizem normais...
Políticos,
Ministérios,
Governos,

Países...

domingo, 16 de junho de 2013

Lourdes


Quando estou contigo,
Eu me sinto completo,
Não pergunto por abrigo,
Pois de amor estou repleto.

Amiga minha, doce musa,
Na poesia eu te descrevo,
Não importa se estás confusa,
Assim mesmo és meu acervo.

O teu sorriso eu agradeço,
Tua atenção me enaltece,
Desculpas se eu não mereço,

Minha inspiração tu mereces;
Nas construções de minhas poesias,
Tu és os principais alicerces.



www.escritoresalagoanos.com.br/majal

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Lapidando cristais


Em mim o toque invisível
 na mente rastreadora do oculto.

Em mim a veia pulsante,
 com o sangue morno, ainda rubro.

Em mim o pensamento pertinente
com divergências - ainda inaceitável.

Em mim a facilidade da lágrima
 em silêncio e ainda salgada.

Em mim a ausência do fôlego,
 súbita, torturante e ainda incômoda.

Em mim a bolha irritante
 em longa caminhada - ainda por estourar.

Em mim a insistente loucura
 da tua-mente-minha, ainda longe das pedras.

Em mim a poesia persistente,
 inútil, estacionada ainda em mente.

Em
mim cacos e cacos colados,
 não tão bem colados - ainda por ruir.

Em ti o toque insensível
 na mente compulsiva - o susto.

Em ti a veia vazia de sangue,
 mas com o ar quente, ainda pulsante.

Em ti o pensamento insistente
 sem convergências - ainda maleável.

Em ti a facilidade em massacrar,
 em gritos, em gestos - distante.

Em ti a ausência da compreensão,
 teimosa, enfática, ainda só tua.

Em ti a pedra no calcanhar
 em calçado apertado, calçada, topada.

Em ti a irritante sanidade
 da minha-mente-tua tão perto das pedras.

Em ti a poesia persistente,
 inútil, solta ao vento.

 Em ti o inquebrável cristal pálido,
 não tão bem lapidado - ainda intocável.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Vulnerável

        


Perdoe-me.
Agir dessa maneira
Pode aparentar inconformismo,
Esqueça o que ouvirá
Durante os próximos minutos:

Bateu-me de repente
Um bruto arrependimento.
Por que dirigir meus olhos
À intensidade do Sol?
Eu sabia que eram frágeis.

Por que imprudentemente
Mergulhei nas águas lastimáveis?
Era manhã de verão,
Profundidade contemplativa,
Eu nem sabia nadar!

Perdoe-me.
Calar dessa maneira
Pode aparentar conformismo,
Lembre-se o que eu não diria
Durante os próximos segundos:

Meu é esse Sol intenso,
Teus são os meus frágeis olhos,
Nossa é a profundidade do saber...


                                      

quinta-feira, 30 de maio de 2013

A Linha

Aline
A libido vem
Aleatória aliciando
A aliança
Aliviando o alívio
Alento bem lento
Alavancando o que há de alado
Ao lado voa
Vai ao lado e no frio do Alasca
         − lasca!
A line
A linha
The line
         off ou on
Online!


                            (Majal-San)
                              Maceió, 10 de Abril de 2013.
                              Residência do Wilder, poema dedicado à Aline Carla Diniz.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Trema-com-essas-agudas-palavras-hifenizadas-ou-infernizantes




As palavras sumiram!
Procuro-as desesperadamente,
Elas não estão nos dicionários.
Nem velho nem novo acordo ortográfico,
Sumiram todas!
Sumiram dos locais mais óbvios.
Sumiram dos meus textos,
Com ou sem efeito à tua mente.
Minha poesia está nua!
Rasgaram-se todas as palavras,
Palavras que um dia existiram.
Sumiram todas!
Sumiram dos outdoors indesejados.
Sumiram das legendas indecifráveis,
Com ou sem tradução convincente.
Minha poesia está invisível!
Desnudaram-se todos os versos,
Versos que um dia persistiram.
Sumiram todas as palavras!
Elas sumiram e levaram o trema.
Levaram também o hífen,
Alguns ainda teimam...
Alguns agudos, “agudos”, aguçam!
Mas, várias palavras ainda permanecem
nas pontas das línguas e dos dedos dos meus algozes.

                            

Nunca Mais




Duas lindas pérolas raras.
Negras belezas inenarráveis.
Sorriso exagerado sem som.
Imagináveis loucuras atormentam.

Belas jóias, - nunca tocarei.
Estupenda beleza, - nunca terei.
Largo sorriso, - nunca ouvirei.
Tantas loucuras não cometerei.

Duas montanhas do pecado,
Mornas montanhas, - imagino,
Pecaminosos picos, - resistirei.

Insistente imenso sorriso,
Persistentes deliciosas loucuras
Permanecem apenas em mente.