Majal-San (post.)

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" Viva a Poesia! "

domingo, 20 de março de 2016

Quando Conta Minas



Olhas o todo em tudo
Não vês nada
O enigma explicita-se
nos teus olhos inertes

Ouves quase tudo
Não escutas nada
O silêncio aborrece
no teu pensamento barulhento

Tocas quase tudo
Não sentes nada
Degustas quase tudo
Não sentes nada
Cheiras quase tudo
Não sentes nada

Quando perto de ti
Sinto quase nada
Quando te vejo
Sinto quase nada
Quando te ouço
Sinto quase nada

Quando tento te esquecer
Trago tudo à memória.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Quando me ouvias


Caminhos longos,
maluquice instável.
Ventos constantes,
paixões efêmeras.
Sol ardente,
noites frias.
Verbos moderados,
ações extremas.
Tudo fazia sentido
quando me ouvias.

    Olhares perdidos
    em ações inúteis.
    Toques imperfeitos
    em retoques – refeitos.
    Beijos ausentes
    em poesias frias.
    Versos improvisados
    para grandes cenas.
    Tudo fazia sentido

    quando me ouvias.



sábado, 13 de fevereiro de 2016

Despedida


Teus braços quentes
Quando me abraçam,
Teus braços gelados
Quando me recusam,
Teus lábios molhados
Quando me beijam,
Teus lábios ressecados
Quando me cospem,
Teus olhos brilhosos
Quando me olham,
Teus olhos paralisados
Quando não me veem,
Teu corpo quente
Quando está junto ao meu,
Teu corpo frio
Quando se despede do meu.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Rijeza


Às vezes...
ouço, olho, falo, lembro
Às vezes...
osso, olho, falo, membro
ereto, penso
penso torto
penso higiênico
Às vezes...
competente, talentoso
Às vezes com personalidade
com fibra...

ou inclinado – penso.

sábado, 3 de outubro de 2015

Amor

Passo por passo
Ninguém no encalço
Estou no compasso
No papel o meu traço
Um sentimento escasso.

 

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Barreira


A vontade é louca de tocar teus ombros,
Prender-me insaciavelmente aos teus lábios,
Desabar-me em dúvidas com tuas palavras,
Infelizmente, estás distante.

A ânsia é maluca de declamar teus versos,
Prender-me gritantemente às tuas rimas,
Desabar-me em objeções por tuas palavras,
Estás distante, infelizmente.

O desejo é árduo de tocar teu corpo,
Prender-me insanamente aos teus braços,
Desabar-me em gozo com teus suspiros,
Infelizmente, estás distante.

A necessidade é nítida em meus olhos,
A distância é nítida aos nossos olhos;
Louca vontade, ânsia maluca, árduo desejo...
E estás distante, infelizmente.


terça-feira, 29 de setembro de 2015

Erros sem consertos


Se a morte amanhã visitar-me
Não quero que você chore,
Também não quero ser elogiado;
Não diga que são belas minhas poesias,
Você só leu e ouviu as três piores.

Se a morte amanhã visitar-me
Não diga que isso lhe deixou triste,
Pois estarei contente em algum lugar.
Não diga que a poesia perdeu um grande nome,
Pois enquanto vivo meus versos são supérfluos.

Se a morte amanhã visitar-me
Não diga que eu tenho seu perdão,
Pois você já desejou minha leiga cabeça.
Não diga que esqueceu meus erros,
Pois esses erros nem a amnésia os levaria.


segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Horizonte


Lançava meu olhar ao horizonte,
Onduladas imagens me encantavam,
Utópicos murmúrios eu escutava,
Reais momentos me atormentavam,
Diversos conceitos me acalmavam
E nesse horizonte não estavas.
Sem teu olhar meus olhos eu fechava.

Impulso



Meus instintos maliciosos
Arrebentam a divisa
Já tão cobiçada,
Assim, procurando
Límpido teu orgasmo.
 
Saíram meus instintos
Atrevidos e exagerados,
Navegantes espermáticos

Assumiram o comando,
Ultimaram nosso tesão,
Destruíram as barreiras,
Agora me tornaram
Zangão da tua colmeia.



Musa Noturna


Entrei na noite
Para te encontrar,
Parecia que eu estava
Delirando num sonho,
E eu desejava acordar.

Entrei na noite
Para te resgatar,
Parecia que eu estava
Sufocando-me num pesadelo,
E eu desejava despertar.

Entrei na noite
Para te libertar,
Parecia que eu era
Um triste perdedor,
Dessa vez eu queria ganhar.

Entrei na noite
Para te visitar,
Parecia que eu era
O único intruso,
Mas eu não queria impressionar.

Fugi da noite
Para poder descansar,
Parecia que era alívio,
Mas, era inconformismo,
Não consegui te encontrar.



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domingo, 30 de agosto de 2015

Estarei te esperando


Suba!
A ponte ainda te suporta.
Ela (a ponte) ainda pode te conduzir.
Um semáforo no meio da ponte
não vai te estacionar.

Suba!
A escada ainda te suporta.
Ela (a escada) ainda pode te conduzir.
O lodo não vai fazer com que escorregues.

Suba!
Um dia qualquer desceremos à realidade.

                            

Impera ativo II


Dessa vez vais descer!
Desce! Vai! Desça devassa!
Desfaz dessa vez...
De vez, de uma só vez desça!
Não tropece! Desça!
O salto não é tão alto!
Pule! Desça! Desça sem pulo!
Pulo chulo, chuto teu passo,
e passo de passo a passo...
Nessa devassidão desça!
Desça! Desça!
Desça dessa densa devassidão.


Não estou nem aqui


Tô mal pra porra quando aqui.
Quando aqui, tento ser mau pra porra,
Toda porra se vira contra mim.

Lá tô mal pra porra.
Cá, mau não posso retrucar essa porra!
Tô mal, tô é mal pra porra.

Se não entendeu, vou dizer, “redizer”
Não “desdirei”, mas tenho uma ligeira impressão...
...que tô mal pra porra!

Tô “malpaporra”!

                            

domingo, 2 de agosto de 2015

Jaz um louco


Ele diz que fecha
Os olhos e os ouvidos
Para qualquer poesia.
Diz que interrompe
A mais bela canção,
E que atrapalha
O cantar dos pássaros.

Ela diz que ele, além de louco,
Já é morto desocupado
Que jaz de pé e andando
No tempo e lugar errado.