Majal-San (post.)

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" Viva a Poesia! "

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Multidão





Passos divergentes,
Diversos pés,
Diferentes olhares,
Cabeças cabeludas,
Cabeças peladas,
Cabeças inteligentes,
Cabeças vazias...
E a minha cabeça tonta
Gira à tua procura.
Naquela multidão
Procuro o teu sorriso,
Os teus olhinhos,
E o movimento dos braços
Pra frente, pra trás,
São tantos braços...
Braços curtos,
Braços longos,
Braços negros,
Braços brancos,
Mas, eu quero apenas
Os teus braços quentes,
Mornos talvez...

         

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Impertinência





                     Naquela mente articulavam-se planos ecléticos para um breve futuro. Seus olhos, naquele momento, observavam apenas a infinita estrada que à sua frente apresentava-se. Seus lábios cerrados e o semblante birrento mostravam a ira que trazia há tempos.
                   Seu corpo ocupava desconfortavelmente uma das poltronas de um transporte coletivo, transporte esse que o conduzia todos os dias ao seu local de trabalho. Aquele rapaz, de certa maneira, num desses trajetos à empresa na qual trabalhava, deixou transparecer um de seus desejos diversos, ou um de seus planos mutáveis que até aquele momento era oculto; desejava ele no seu transporte, em alta velocidade, capotar por diversas vezes e depois explodir. Todos ao conhecerem seu desejo absurdo passaram a repudiá-lo.
                   Numa quinta-feira fria de agosto, naquele labirinto de concreto que era a sua cidade com prédios imensos, cheia de antenas e redes elétricas, numa longa avenida congestionada, com buzinas atordoando os tímpanos, vinha lentamente um coletivo lotado e nele havia um rapaz ranzinza, solitário, sentado desconfortavelmente numa poltrona. Parecia nesse momento que o coletivo encontrava-se vazio, pois, nenhum ser humano dirigia-se àquele solitário desconfortável da poltrona dianteira. Em sua mente com certeza passavam planos ou desejos macabros.
                   E de súbito, ao tentar cruzar a linha férrea, aquele coletivo foi atingido violentamente pelo trem cruel; pedaços do ônibus espalharam-se naquela extensa avenida.
                   – Todos mortos! – Disse um dos curiosos que ali observavam o acidente. Depois que muito analisaram, um sujeito foi visto desconfortavelmente levantando-se do esgoto, era ele, sujo e resmungando:
                   – Vou chegar atrasado, droga!



                                                                           (Majal-San)

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Retorno II





Cadê você além do poema?
Aonde vais além da escrita?
Reviverás nos meus traços?
Nascerás outra vez à minha visão?
Estarás novamente em meus versos?
Iludirás outra vez as minhas rimas?
Revolverás novamente os meus rascunhos?
Onde poderei te encontrar?


Retorno





            
Estás de volta...
Não sei se tão forte
Não sei se me envoltas
Talvez minha sorte.

Estás de volta...
Não sei se pra sempre
Não sei se visitas
Ou apenas implicas.

Estás de volta...
Não sei se provocas
Não sei se incitas
Ou apenas excitas.

Estás de volta...
Não sei se sou fraco
Não sei se invocas
Ou voltarei ao buraco.


sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Meia Década



Observo a maçaneta...
Não a toco
Não tocas
Não giras
Não bate
Minhas ideias também não.

A maçaneta...
A massa
A maçã
A minha futura neta
A maçaneta imóvel
Visita nenhuma.

A tua – espero.
À tua espera.
A minha – esperas.

Observo a maçaneta
Sentado aqui a maçaneta
não me observa.





domingo, 10 de agosto de 2014

Imagens absortas




A imagem à retina imediata
O aroma da menina inexata
A lembrança da ausência que irrita
O impulso à essência que incita
Os rabiscos que contornam a poesia
As arestas que revelam a agonia

A imagem na neblina que acata
A lembrança da ruína que ataca
Num impulso insolente que implica
Nesse aroma indecente que excita
E meus rabiscos que me envolvem à agonia
Inutilmente se transformam em poesia.

                   

domingo, 22 de junho de 2014

Desde la ventana de un hotel




A realidade está bem ali,
Pelos ares logo estarei lá.
Essa beleza aconchegante ficará aqui,
Buenos Aires, bela, permanecerá cá.

Quando novamente pisarei Avenida de Mayo?
Quando, de perto, novamente Obelisco?
E as poses espontâneas en la Plaza de Mayo?
San Telmo, Recoleta, Palermo em meus riscos...

O despertador logo logo avisará...
Para trás ficará ela, linda, rosada.
Buenos Aires à minha espera estará?
...e os casais? – tango na calçada.

Quando outra vez, de perto, El Caminito?
Quando, tão próximo, de novo La Boca?
E o frio que parece tão infinito?
...e a mistura de tantas línguas nas bocas.












                            

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Lojinha de artigos esportivos do Time do Papa


Congresso Nacional - Buenos Aires


"B-a-r-u-l-h-o-s & Tatu aos pés"



Eu sem asas
Parecia parado
Ele com asas
Parecia imóvel

Fez-se o silêncio no ar
E o ar da cidade se via
Volta o barulho no ar
Meu esqueleto imóvel

“Atenção para a aterrissagem...”
Mas, o que importa a “atenção”
se toda essa tensão é minha?

Eu, sem asas,
agora desejo o ar
Eu, imóvel,
agora preciso voar...

O tempo é curto!
O espaço é pouco...

Decolagem não há.







quarta-feira, 21 de maio de 2014

12h45min (Daqui a pouco)




Daqui a pouco
         estarei no meu inferno
         ou o meu inferno virá a mim
         ou o inferno alheio virá

Daqui a pouco
         partirei ao meu destino
         ou não haverá destino
         ou minhas inconsequências
                            − meu destino

Daqui a pouco
         desistirei do quase improvável
         ou o “quase” é impossível
         ou o “impossível” quase o é

Daqui a pouco
         viverei o meu esperado carma
         visitarei um inferno – carma
         e alguém, alheio, conciso dirá
                            − tenha calma!

         

domingo, 27 de abril de 2014

Erva daninha






Caju, cajueiro – um pouco distante.
Manga, mangueira – água na cara e na cabeça.
Coco, coqueiro – coqueiro seco, também distante.
Jaca, jaqueira – é bem ali.
Banana, bananeira – bananal, um pouco ausente.
Limão, limoeiro – nem Ana nem dia.
Abóbora, aboboreira, abobreira, abrobeira – sei lá qual beira...
Pimenta, um pé, tenho dois pés, pimenteira.
Pitomba, pitombeira – píton na beira.
Mamão, mamoeiro, abacate, abacateiro – ao abate...
não há mais abacate...
Seriguela, acerola, batata, graviola;
O maracujá insiste... a fruta-pão, a fruta, o pão.
Sem eira, e a beira?
Goiaba, goiabeira – óia a beira!
Cana, canavial, cana caiana, cana – parei.
Macaxeira, macaxeira, cheira a brisa;
A brisa cheira? Estou na maca.
Sem eira nem beira – à tua mercê.



                                      

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Interrogação


Por que chamas o poeta de mentiroso?
Por que chamas o poeta de fingido?
Por que não acreditas no poeta?
Por acaso mentiu quando disse que te ama?
Será que fingiu quando chorou no teu ombro?
Serão mentiras suas escritas?
A lua da qual ele fala será que não existe?
Aquela cachoeira de águas límpidas é imaginária?
As longas caminhadas,
As noites sem dormir,
As cenas patéticas,
Achas que foi apenas exibicionismo?

O poeta mentirá quando disser que te esquecerá?
O poeta fingirá quando sorrir não tua despedida?

Por que não acreditas no poeta?